Que eu gosto de ouvir bandas desconhecidas do grande público, e tenho um prazer intenso em anunciar tais bandas diantes dos olhares surpresos se perguntando “- nossa da onde tu tirou isso?”, “-Bah, grava pra mim!!!”, “Que irado depois que tu me mostrou essa música, ouvi numa festa, num comercial de tv e acho q vou por na minha formatura.”, nunca foi segredo. Álias já sofri com a chacota por conta disso hehehe.
Mas pior é quando eu começo a ver as pessoas fazendo coisas pra me agradar, o cretino do Ismael estes dias conversava comigo, quando lhe pedi que escutasse uma banda no myspace.
O mesmo me encheu a banda de elogios, sabendo claro que eu absorveria para mim toda aquela babação...então fria e calculadamente larguei pra ele: - Tu gostou é? Te mostrei por que eu achei uma merda, queria ter certeza que era só eu que achava isso...
Aí ele me deu uma resposta que fez cair a máscara, e me deu uma espécie de desgosto. – Álvaro, pra ser sincero eu também achei uma merda, álias só escutei uma música pra te agradar.
Agora eu me pergunto que mundo é esse???
No que estamos nos tornando...ou será que sou só eu.
Tudo bem que ouvi, Arctic Monkeys, Kills, Killers, Maccabbees, Klaxons, CSS e etc... a exaustão. Mas isso não me dá o direito de dizer que gosto de Bloc Party por exemplo, mesmo assim eu digo que gosto, mesmo tendo baixado o disco e nunca escutado. É que no Indie dificilmente eu vou passar por aquela situação embaraçosa de alguém me perguntar sobre tal música com o conhecimento de causa de um fã de bandas dos anos 70. Tipo eu escuto uma vez, uma única música de cada uma das 70% das bandas de que ouço falar, dessas eu gosto de digamos 20%, das quais escuto 50% por mais de duas semanas porque ponho o no iPod, e ao fim de tudo, voltarei a ouvir com certa freqüência duas músicas de 30% daquelas 50%...E no fim de tudo, juntaod todas as bandas, lembro mais ou menos de cabeça 5% das músicas e 0,03% das letras...mas isso não é insignificante porque conheço muito mais que 300 GB de músicas, na real tenho mais de 2 therabytes de musica na cabeça, mas lembro de apenas uns 650 Gigas o resto tah no inconsciente, e saberia cantarolar o ritmos de uns 120GB de música... Na real, assim, acho que tenho plenas condições de ser chamado para entrevista no Jô Soares, David Letterman, ou outros do gênero para falar sobre música, tenho repertório de histórias e falo com autoridade. Mas bom mesmo, é quando eu descubro antes, canto a pedra e dá certo!!!!
E confesso que me sinto acuado, quando tenho que falar com pessoas que entendam de música eletrônica, botânica, motores pneumáticos, genética...sempre digo que não gosto, nunca que não sei ou que não entendo...
segunda-feira, 26 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
O Show da Vida
Vejamos o que tenho a relatar...
já deve ser de conhecimento geral, que o mestre Chuck Berry está vindo a Porto Alegre fazer um show no Pepsi On Stage em uma co-produção entre Opus Promoções e Opinião Produtora...algo q é como se a Coca-Cola e a Pepsi fossem lançar um refri em parceiria, enfim o tempo passa as coisas mudam mas o mais importante: do alto dos seus 81 anos o autor de Johnny B. Goode, Roll Over Beethoven e muito mais, fará seu show histórico aqui, no dia 21 de junho...
Falando em shows, o do BAJOFONDO já foi o melhor que vi esse ano disparado. Eu já curtia eles faz uns dois ou três anos, entretanto não estava a par do último disco deles...houve uma evolução tremenda desde o primeiro, e o que era para ser um show cult, praquela galera bundona, se tornou uma rave dentro do Teatro do Bourbon Country, com direito a invasão de palco, e gente dançando enlouquecida...e daí que mesmo assim show é show né...terminou e os caras saíram do palco, e eu tava ali do lado, nas coxias, quando o público (de certo incitado por algum amante de White Stripes ou de futebol mesmo) começou a cantar em uníssono os acordes de Seven Nation Army, e o Gustavo Santaolalla (líder da banda) me olhou e perguntou se era normal isso, eu respondi que era inédito...realmente nunca tinha visto isso no teatro, foi quando o contrabaixista retornou e começou a tocar a música que o povo cantava, daí foi a consagração, a banda voltou pro palco, tascou-lhe mais duas eletrônices pegadaças e assim o público foi embora, com aquele sorriso de satisfação de quem sabe que esteve no lugar certo na hora certa.
Tá, estou falando disso pq realmente tenho trabalhado demais ultimamente então minha vida tá girando muito em torno dos shows e tal...mas anfan...
Sábado, 17/05/2008 vi um clipe no youtube do Radiohead...que vale ver...pq é foda...é meio inacreditável..mas aquele tênis de marca, aquela roupa maneira que a gente volta e meia tah usando, pq chega tudo junto que nem Coca-cola, Mc Donalds, na TV em tudo... muitas vezes são manufaturados com mão de obra escrava. Toda a moral de algumas empresas e grandes corporações parece que acaba ao encontrar a famosa mão de obra barata que faz acontecer a Mais-Valia tão falada por Marx.
já deve ser de conhecimento geral, que o mestre Chuck Berry está vindo a Porto Alegre fazer um show no Pepsi On Stage em uma co-produção entre Opus Promoções e Opinião Produtora...algo q é como se a Coca-Cola e a Pepsi fossem lançar um refri em parceiria, enfim o tempo passa as coisas mudam mas o mais importante: do alto dos seus 81 anos o autor de Johnny B. Goode, Roll Over Beethoven e muito mais, fará seu show histórico aqui, no dia 21 de junho...
Falando em shows, o do BAJOFONDO já foi o melhor que vi esse ano disparado. Eu já curtia eles faz uns dois ou três anos, entretanto não estava a par do último disco deles...houve uma evolução tremenda desde o primeiro, e o que era para ser um show cult, praquela galera bundona, se tornou uma rave dentro do Teatro do Bourbon Country, com direito a invasão de palco, e gente dançando enlouquecida...e daí que mesmo assim show é show né...terminou e os caras saíram do palco, e eu tava ali do lado, nas coxias, quando o público (de certo incitado por algum amante de White Stripes ou de futebol mesmo) começou a cantar em uníssono os acordes de Seven Nation Army, e o Gustavo Santaolalla (líder da banda) me olhou e perguntou se era normal isso, eu respondi que era inédito...realmente nunca tinha visto isso no teatro, foi quando o contrabaixista retornou e começou a tocar a música que o povo cantava, daí foi a consagração, a banda voltou pro palco, tascou-lhe mais duas eletrônices pegadaças e assim o público foi embora, com aquele sorriso de satisfação de quem sabe que esteve no lugar certo na hora certa.
Tá, estou falando disso pq realmente tenho trabalhado demais ultimamente então minha vida tá girando muito em torno dos shows e tal...mas anfan...
Sábado, 17/05/2008 vi um clipe no youtube do Radiohead...que vale ver...pq é foda...é meio inacreditável..mas aquele tênis de marca, aquela roupa maneira que a gente volta e meia tah usando, pq chega tudo junto que nem Coca-cola, Mc Donalds, na TV em tudo... muitas vezes são manufaturados com mão de obra escrava. Toda a moral de algumas empresas e grandes corporações parece que acaba ao encontrar a famosa mão de obra barata que faz acontecer a Mais-Valia tão falada por Marx.
domingo, 27 de abril de 2008
MUTANTES DEPOIS
Se o cara para dez dias de postar é incrível...o próximo demora a sair...ou senão sai forçado...manter um blog eu julgo ser parecido com um Tamagochi, nunca tive um mas achei uma comparação engraçada...e consegui em três frases não dizer nada.
Geralmente o que torna dureza manter o blog sempre com um post atual, é ter a clareza pra expressar a idéia, ter a idéia, e destinar um tempo para essa atividade...trabalhando pra burro, sobrou pra esse domingo...tendo em vista que daqui a pouco saio pra trabalhar no show do Renato Teixeira...
Então vamos lá, vou só contar umas coisinhas que li por aí...
Parece que o Kiss vai vir de novo ao Brasil de novo...li num blog...o Kiss foi meu primeiro show de rock importado...grandioso e inesquecível...duas observações sobre aquele show:
1. Viva a mistura!
2. Foi mal Gui (eu e o pedro não combinamos, e não sabíamos que a menina iria reagir tão nervosamente).
Parece que em breve teremos a presença da nossa Amy Winehouse...nos Simpsons...fala sério, cada dia sou mais fã deles, tu vê já apareceram sob os traços de matt groening Rolling Stones, The Who, White Stripes, REM, Sonic Youth, Pete Frampton, Paul Mccartney, Pelé, Ronaldo Fenômeno e outros tão cotados quanto...enfim to louco pra ver a Wino contracenando com Homer...
Parece que o Sepultura tah fazendo um novo álbum baseado no Laranja Mecânica, lembrando que o Iggor Cavalera não tah mais na banda, lembrando também que o último álbum teve como tema a Divina Comédia de Dante Alighieri...mas o legal disso tudo é uma promoção que eles estão fazendo e eu ainda não estou participando..é o seguinte:
a pinta escreve uma música, ou alguns versos sobre Orange Clockwork, ou a ver com o tema e se as frases forem escolhidas o cara ganha o crédito na música mais um dvd autografado...
E o Metallica fez um blog pros fãs acompanharem a gravação do novo álbum. Vão tomar no cú...ninguém esqueceu que vocês processaram o Napster e fãs que baixaram a música de vocês...hoje não me arrependo, graças a isso, de não ter ido no show optando pelo Kiss.mas ainda quero assistir o sepul...mesmo totalmente desfalcado...
Parece queo Mutantes vai continuar...mesmo sem Zélia, Rita, Arnaldo...e melhor (ou pior) tem música nova na parada MUTANTES DEPOIS (clique no título do blog pra baixar)
tá...cansei de velharia, bom resto de domingo e dá-lhe inter!
Geralmente o que torna dureza manter o blog sempre com um post atual, é ter a clareza pra expressar a idéia, ter a idéia, e destinar um tempo para essa atividade...trabalhando pra burro, sobrou pra esse domingo...tendo em vista que daqui a pouco saio pra trabalhar no show do Renato Teixeira...
Então vamos lá, vou só contar umas coisinhas que li por aí...
Parece que o Kiss vai vir de novo ao Brasil de novo...li num blog...o Kiss foi meu primeiro show de rock importado...grandioso e inesquecível...duas observações sobre aquele show:
1. Viva a mistura!
2. Foi mal Gui (eu e o pedro não combinamos, e não sabíamos que a menina iria reagir tão nervosamente).
Parece que em breve teremos a presença da nossa Amy Winehouse...nos Simpsons...fala sério, cada dia sou mais fã deles, tu vê já apareceram sob os traços de matt groening Rolling Stones, The Who, White Stripes, REM, Sonic Youth, Pete Frampton, Paul Mccartney, Pelé, Ronaldo Fenômeno e outros tão cotados quanto...enfim to louco pra ver a Wino contracenando com Homer...
Parece que o Sepultura tah fazendo um novo álbum baseado no Laranja Mecânica, lembrando que o Iggor Cavalera não tah mais na banda, lembrando também que o último álbum teve como tema a Divina Comédia de Dante Alighieri...mas o legal disso tudo é uma promoção que eles estão fazendo e eu ainda não estou participando..é o seguinte:
a pinta escreve uma música, ou alguns versos sobre Orange Clockwork, ou a ver com o tema e se as frases forem escolhidas o cara ganha o crédito na música mais um dvd autografado...
E o Metallica fez um blog pros fãs acompanharem a gravação do novo álbum. Vão tomar no cú...ninguém esqueceu que vocês processaram o Napster e fãs que baixaram a música de vocês...hoje não me arrependo, graças a isso, de não ter ido no show optando pelo Kiss.mas ainda quero assistir o sepul...mesmo totalmente desfalcado...
Parece queo Mutantes vai continuar...mesmo sem Zélia, Rita, Arnaldo...e melhor (ou pior) tem música nova na parada MUTANTES DEPOIS (clique no título do blog pra baixar)
tá...cansei de velharia, bom resto de domingo e dá-lhe inter!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Duas coisas que eu gosto e uma que eu odeio
Persepolis trailer do filme
Aztecas Tupro clipe de Dibujos (vale a pena ver o clipe alem da musica excelente a guria é um gênio)
Odeio que peidem perto de mim...imagina se a gente tivesse visao infravermelho...
Aztecas Tupro clipe de Dibujos (vale a pena ver o clipe alem da musica excelente a guria é um gênio)
Odeio que peidem perto de mim...imagina se a gente tivesse visao infravermelho...
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Raul Seixas me falou!
Uma noite dessas no meu sonho...o Raul Seixas cantou uma musica pra mim que era mais ou menos como descrevi abaixo..detalhe, ele morreu em 1989...bem na época q tavam lançando os primeiros CDs...uma coisa meio mediúnica...
No meu último suspiro
Ouvi que o disco de vinil bailou
Mas logo um navio bandeira negra
Disse que o cd se queimou
Que nem o dvd iria se segurar
Por que se você grava hoje
Amanhã alguém já vai baixar
Nos blogs, na internet, no youtube vai estourar
É jazz, é punk, é rock
E toda segurança alguém já violou
Mas Steve Jobs me disse
O iPod é o que me restou
E depois da minha morte
O MP3 é onde estou
É onde Estou
É onde estou wow wow wow!!!!
(Raul Seixas em espírito, pelas mãos de Álvaro de Bem)
No meu último suspiro
Ouvi que o disco de vinil bailou
Mas logo um navio bandeira negra
Disse que o cd se queimou
Que nem o dvd iria se segurar
Por que se você grava hoje
Amanhã alguém já vai baixar
Nos blogs, na internet, no youtube vai estourar
É jazz, é punk, é rock
E toda segurança alguém já violou
Mas Steve Jobs me disse
O iPod é o que me restou
E depois da minha morte
O MP3 é onde estou
É onde Estou
É onde estou wow wow wow!!!!
(Raul Seixas em espírito, pelas mãos de Álvaro de Bem)
domingo, 13 de abril de 2008
O Milagre de São Leopoldo
2006, abril. 35 minutos do segundo tempo.
Decisão do campeonato do Vale do Rio dos Sinos.
Aimoré empatando com o Sapucaiense em 1 a 1. Os Estádio João Correa no Bairro Cristo Rei, abarrotado. 12 mil capilés incentivando a equipe, os surdos e demais tambores da FUBA (Força Unida do Barranco)não silenciavam um minuto. O juiz economizando nos cartões, o sol daquela tarde mantinha uma temperatura de 33º, com sensação de 38º.
Sufocante. A zaga do Sapucaiense resistindo bravamente com o resultado que lhe garantiria o título. A torcida em coro bradava incentivos ao Cacique da Taba. Eu como espectador privilegiado, acompanhava a partida com concentração, em pé com credencial de imprensa atrás da placa de patrocínio do Restaurante Caçarola, desbotada. Era vísivel o nervosismo dos dirigentes do Aimoré, era vísivel a fé que o treinador do sapucaiense depositava em seus jogadores. 40 minutos e o goleiro da Sapucaiense salva o time da cidade vizinha mais uma vez e sem a menor pressa caminhava vagarosamente para cobrar o tiro de meta. Nequinho, camiseta sete do Aimoré, levantava os braços pedindo mais barulho para a torcida leopoldense, o povo respondia gritando com toda a força, com o coração, AIMORÉ AIMORÉ!!!!
Cada grito parecia que dobrava a velocidade dos nossos atacantes, cada grito parecia ser capaz de romper qualquer esforço do Sapucaiense em se defender. A equipe vibrava junto e pressionava cada vez mais a equipe adversária, eram chutes de falta, bolas na área, tiros a queima-roupa, mas sempre aparecia uma canela, um carrinho, uma trave um goleiro para impedir a alegria da cidade de São Leopoldo. Eu via aquilo e não compreendia porque a bola não entrava, não entendia porque os deuses do futebol não brindavam aquela bravura toda, aquela mobilização da cidade em torno da sua equipe de futebol, justamente no jogo contra seu maior rival, justamente contra um time sem torcida, um time de empresários. 46 minutos. Ele mesmo, o capitão Nequinho assumiu a cobrança de escanteio. Havia 21 jogadores na área da Sapucaiense, pois até o goleiro do Aimoré subiu ao ataque na última tentativa de conquistar o título. Nequinho olhava para a bola no corner, e para a turba na área...naquele empurra empurra em que se decidiria o título. Eu, olhava para a torcida gritando, lutando e acreditando na última chance do jogo, seus olhos brilhavam, como os de Nequinho que olhou pra mim. Sim, pra mim. Eu que estava, quando dei por mim, saltando a placa de patrocínio, entrando na área, naquele único lugar em que um predestinado poderia estar, desloquei o corpo para a esquerda e saltei, ninguém entendeu nada, o tempo parou, acertei a cabeçada com a violência de quem não pensa, de quem age sobre alguma força sobrenatural. A bola estufou as redes. 12 mil torcedores trocaram o silêncio de um milésimo de segundo atrás por uma gritaria ensurdecedora de vitória. Os onze guerreiros da Sapucaiense calavam não acreditando no que acontecera, não havia mais fibra nem pra reclamar do árbitro, que validou o gol alegando não ter poder para ir contra o destino, para ir contra o impossível, o milagre do Cristo Rei que do alto da torre do mosteiro me acenava. Nequinho comemorava junto ao resto dos jogadores, a torcida invadiu o campo, e eu virei uma lenda.
Também depois disso decidi abandonar o jornalismo e abraçar a publicidade, eu não poderia assistir passivamente aquela partida e depois reportá-la imparcialmente, jamais. E vi também que o meu negócio era a publicidade, não é possível uma placa de publicidade exposta pra 12 mil pessoas ao vivo, mais para sei lá quantos espectadores pela Tv, estar desbotada.
Tudo mentira...mas imagina que massa...huahuahuahua
Decisão do campeonato do Vale do Rio dos Sinos.
Aimoré empatando com o Sapucaiense em 1 a 1. Os Estádio João Correa no Bairro Cristo Rei, abarrotado. 12 mil capilés incentivando a equipe, os surdos e demais tambores da FUBA (Força Unida do Barranco)não silenciavam um minuto. O juiz economizando nos cartões, o sol daquela tarde mantinha uma temperatura de 33º, com sensação de 38º.
Sufocante. A zaga do Sapucaiense resistindo bravamente com o resultado que lhe garantiria o título. A torcida em coro bradava incentivos ao Cacique da Taba. Eu como espectador privilegiado, acompanhava a partida com concentração, em pé com credencial de imprensa atrás da placa de patrocínio do Restaurante Caçarola, desbotada. Era vísivel o nervosismo dos dirigentes do Aimoré, era vísivel a fé que o treinador do sapucaiense depositava em seus jogadores. 40 minutos e o goleiro da Sapucaiense salva o time da cidade vizinha mais uma vez e sem a menor pressa caminhava vagarosamente para cobrar o tiro de meta. Nequinho, camiseta sete do Aimoré, levantava os braços pedindo mais barulho para a torcida leopoldense, o povo respondia gritando com toda a força, com o coração, AIMORÉ AIMORÉ!!!!
Cada grito parecia que dobrava a velocidade dos nossos atacantes, cada grito parecia ser capaz de romper qualquer esforço do Sapucaiense em se defender. A equipe vibrava junto e pressionava cada vez mais a equipe adversária, eram chutes de falta, bolas na área, tiros a queima-roupa, mas sempre aparecia uma canela, um carrinho, uma trave um goleiro para impedir a alegria da cidade de São Leopoldo. Eu via aquilo e não compreendia porque a bola não entrava, não entendia porque os deuses do futebol não brindavam aquela bravura toda, aquela mobilização da cidade em torno da sua equipe de futebol, justamente no jogo contra seu maior rival, justamente contra um time sem torcida, um time de empresários. 46 minutos. Ele mesmo, o capitão Nequinho assumiu a cobrança de escanteio. Havia 21 jogadores na área da Sapucaiense, pois até o goleiro do Aimoré subiu ao ataque na última tentativa de conquistar o título. Nequinho olhava para a bola no corner, e para a turba na área...naquele empurra empurra em que se decidiria o título. Eu, olhava para a torcida gritando, lutando e acreditando na última chance do jogo, seus olhos brilhavam, como os de Nequinho que olhou pra mim. Sim, pra mim. Eu que estava, quando dei por mim, saltando a placa de patrocínio, entrando na área, naquele único lugar em que um predestinado poderia estar, desloquei o corpo para a esquerda e saltei, ninguém entendeu nada, o tempo parou, acertei a cabeçada com a violência de quem não pensa, de quem age sobre alguma força sobrenatural. A bola estufou as redes. 12 mil torcedores trocaram o silêncio de um milésimo de segundo atrás por uma gritaria ensurdecedora de vitória. Os onze guerreiros da Sapucaiense calavam não acreditando no que acontecera, não havia mais fibra nem pra reclamar do árbitro, que validou o gol alegando não ter poder para ir contra o destino, para ir contra o impossível, o milagre do Cristo Rei que do alto da torre do mosteiro me acenava. Nequinho comemorava junto ao resto dos jogadores, a torcida invadiu o campo, e eu virei uma lenda.
Também depois disso decidi abandonar o jornalismo e abraçar a publicidade, eu não poderia assistir passivamente aquela partida e depois reportá-la imparcialmente, jamais. E vi também que o meu negócio era a publicidade, não é possível uma placa de publicidade exposta pra 12 mil pessoas ao vivo, mais para sei lá quantos espectadores pela Tv, estar desbotada.
Tudo mentira...mas imagina que massa...huahuahuahua
quinta-feira, 10 de abril de 2008
....
Não coloquei título pq pelo visto pra eles vai ser díficil esse ano...mas esse post é em homenagem a todos os tricolores...CRÉU....CRÉU....CRÉU....
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