terça-feira, 26 de junho de 2007

Funesto

Olá pessoas, a partir de hoje passarei a postar aqui contos de morte, dor, depressão...até o dia em que eu morra...ou canse...
26.06.2007 - xx/xx/xxxx


Frio Funesto (Álvaro de Bem)
Nesse mar de dor onde me afogo
Nesse antro escuro e frio onde estou preso
Necessito que levem minhalma logo
Necessito da luz do fogo aceso

Este caminho só me leva ao inferno
Onde a esperança não acha mais saída
Na clausura de um caixão eu visto terno
Elegante meu cadáver no pós-vida

Minha alma perde o corpo onde reside
E o gelo no meu rosto é queimadura
Condenando para sempre a mão que agride
A escuridão permanente da sepultura!

Lei Sinistra (Álvaro de Bem)
Se soubéssemos que fim teria
A morte calma, lenta e repetida
Ah se viesse, uma vez mais em sintonia

Num manto negro, pálido e triste
Sua doce e lânguida pele branca
Seu longo e fino braço esquálido
Compõe com a alma, um corpo que não existe

Um sopro quieto, gélido e perturbante
Um sopro sem ar, de morto
É um sinal fúnebre e mistério
É um pedido, um convite, ao decomposto

O assunto é funéreo e nauseabundo
É uma regra até deitar-se em seu leito
É a fé e outras coisas que eu rejeito
Uma temporada no subterrâneo mormacento.

Morte do Ateu (Álvaro de Bem)
O relato sombrio de uma passagem
Infesta o ar repugnante
É um banquete para corvos e abutres
Um ritual que transcende o entedimento
Dos que se espremem em gavetas de cimento

Toquem um réquiem nesse cortejo
Busquem algo mais para o velório
Do que a espera incessante
Do futuro inevitável claustrofóbico

Esse arrepio que percorre nossa espinha
Como um dedo gelado em sua coluna
É um sinal do destino que definha
Cremado, encerrado em uma urna

Uma ofensa é não sentir todo esse medo
De que algo os espíritos reservam
Para o coração do Ateu que morreu cedo.

Um comentário:

Paola disse...

Gostei do movimento.
Nao sei se do morrendo. Realmente acho que não. Mas gostos são gostos.